Viver no campo – Novos Rurais

E VOCÊ… AINDA VIVE NAS GRANDES CIDADES?

Novos Rurais é o nome criado para designar uma nova classe de pessoas que, tendo nascido na cidade, optam por viver no campo. Geralmente são amantes do campo. Tendem a aproveitar o melhor de ambos os mundos e “levam” algum do conforto que têm na cidade para o campo.

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Novos Rurais – Um regresso com futuro

São jovens empreendedores QUE MIGRAM PARA O campo com uma renovada cultura de território, e visão a longo prazo da importância da agricultura para o País e para o seu legado. Promovem um regresso sustentável à RURALIDADE, que combate o desemprego, estimula o desenvolvimento económico e gera poupanças na economia familiar.

POR GABRIELA COSTA

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© DR
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Em 2015, mais de 69 por cento da população portuguesa viverá nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. O número avançado recentemente pela ONU revela um crescimento significativo desta concentração, que não é nova: em 2001, 42% da população vivia nas áreas metropolitanas.
Sucede que esta realidade promove o aumento do custo de vida (no mesmo ano, setenta por cento do endividamento das famílias concentrava-se nas áreas metropolitanas), dos problemas de mobilidade e das condições de vida precária, a nível social mas também ambiental.

Para os Novos Povoadores, a promoção de oportunidades de empreendedorismo nos territórios rurais “provocará o desejado êxodo urbano”. Reduzir o fosso das assimetrias regionais com benefícios para os novos residentes e para os territórios de baixa densidade é um objectivo a conseguir através da instalação de unidades empresariais no interior, a custos reduzidos, e com uma mão-de-obra também mais barata que a dos centros urbanos.

O campo torna-se ainda uma boa escolha pela reconhecida qualidade de vida que proporciona, graças à sua baixa densidade, defendem os Novos Povoadores, que estão a dinamizar uma rede de empreendedorismo no meio rural, em sectores económicos suportados pelas Tecnologias de Informação e Comunicação.
Uma “economia sem geografia” não é uma visão utópica numa sociedade cada vez mais globalizada, preconizam, e “a ruralidade tem hoje atractivos que lhe permite competir com as áreas urbanas, garantem.

Frederico Lucas, que promove o projecto Novos Povoadores e coordena o infoex.pt (iniciativa que acolhe em património edificado ao abandono, no interior do país, empresas de jovens empreendedores, em áreas como a agricultura, a comunicação ou a floresta), é um defensor dos Working Labs, oficinas de experimentação profissional que estão a ser dinamizadas em articulação com algumas autarquias. Estas oficinas resolvem dois problemas, afirma: são uma alternativa para muitos jovens qualificados no desemprego e dinamizam os equipamentos públicos já existentes nos meios rurais.

Neste modelo flexível de ‘levar a cidade para o campo’, a agricultura surge como área estratégica, já que “é consensual que Portugal pode reduzir a dependência externa dos produtos agrícolas”. Esse caminho pode e deve ser traçado apoiando novas iniciativas agrícolas orientadas para as novas tendências de consumo, defende Frederico Lucas.

Ainda vive na cidade?

“Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias.” É com esta filosofia de vida que o Movimento Farming Culture, Novos Rurais defende novos valores que sustentam a procura da proximidade com a natureza e com a vida no campo.

Pensar o “rural” e o “urbano” a partir da interacção de agentes sociais que visam “romper com a dualidade inerente a essas categorias” é a missão deste projecto que se dirige a uma nova classe de pessoas que, tendo nascido na cidade, opta por viver no campo.

Os também chamados Agricultores de Sofá são jovens executivos, empreendedores, que “gerem a dinâmica e o stress empresarial mas não usam gravatas”. Amantes do campo, tendem a aproveitar o melhor do meio rural mantendo algum do conforto que tinham na cidade.

Mas, como é, na prática, dinamizado o movimento Novos Rurais?
Reunindo e partilhando ideias, projectos e experiências, sobre a paixão da vida no campo. Agregando pequenos agricultores biológicos e aproveitando “este nicho da economia que é vital ao desenvolvimento do país”. Privilegiando, “de forma sistemática”, a aquisição de produtos portugueses, adquirindo-os a pequenos produtores e gerando riqueza no país, consolidando postos de trabalho nacionais.

Dinamizando fóruns de discussão e apresentação de projectos de turismo rural e turismo de natureza, “salvaguardando deste modo a nossa riqueza patrimonial, natural, cultural e turística”. E promovendo workshops, em temáticas como hortas urbanas, permacultura e eco-construção, explica, em declarações ao VER, João Monge Ferreira, fundador e promotor do projecto Novos Rurais.

“A promoção de oportunidades de empreendedorismo nos territórios rurais provocará o desejado êxodo urbano” – Novos Povoadores .
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A iniciativa pretende ainda permitir que a sociedade urbana reencontre o prazer de cultivar e de cuidar de pequenas hortas, promovendo valores como o auto-consumo, e a saúde e bem-estar.

Para este empreendedor, a agricultura “é uma questão de segurança nacional”. Na sua opinião, “vítimas das reformas da PAC, nos últimos vinte anos temos vindo a perder cultura de território, que demorámos centenas de anos a adquirir”.

Crítico, João Monge Ferreira considera que o País tem “gradualmente abandonado a agricultura e vimos as nossas reservas estratégicas reduzidas a números assustadores”.

Portugal assumiu uma vocação florestal que foi importante para a economia a curto prazo, diz, mas “devastadora para o território a médio e longo prazo, como têm demonstrado os últimos anos, em que vimos boa parte do território nacional a arder e os solos, já de si pobres, a empobrecerem ainda mais”.

A boa notícia, garante, é que “a agricultura está de volta”: os neo-rurais são agricultores que “voltam a ter uma grande cultura de território e visão a longo prazo, da importância da agricultura para o seu país e para o seu legado”.

Uma EcoCasa portuguesa, concerteza
Uma Eco Casa para todos construída através de uma rede de fornecedores cem por cento portugueses que se tornam embaixadores da causa. É esta a ambição do projecto também fundado por João Monge Ferreira, com os objectivos de atrair, sensibilizar e informar as pessoas que procuram (re) construir edifícios e espaços.
Para tal, “são convidados todos aqueles que projectam, planeiam e executam as construções e os equipamentos, com uma atitude intencional na criação de construções sustentáveis, com menores custos económicos e ambientais e aportando valor acrescentado à qualidade de vida”, anuncia a iniciativa.

Os promotores da EcoCasa Portuguesa, desígnio que nasceu nas redes sociais, querem construir uma casa amiga do ambiente totalmente nacional – desde o projecto de arquitectura aos materiais utilizados, “a ideia é que tudo seja made in Portugal e fornecido graciosamente”.

Ao VER, o responsável desta iniciativa, que dirige ainda os projectos Empreendedores em Rede e Cibereconomia explica que, na fase inicial, a casa modelo será uma forma de os ‘embaixadores’ promoverem os seus produtos e serviços, e serem fornecedores dos futuros projectos.

O objectivo é que a casa “se adapte aos diversos climas, relevos e matérias-primas de cada região”, até porque o futuro do projecto passa pela comercialização em vários países, adianta. É o caso de Angola, Brasil, Espanha e Moçambique, para além de Portugal.

Segundo João Monge Ferreira vão ser projectados modelos low-cost, para fácil implantação em zonas rurais. A primeira habitação, um T3 “orçado em 150 mil euros”, a construir num prazo de dois anos, é um projecto com uma forte componente pedagógica ambiental”, conclui.

O nosso agradecimento à revista VER

Fonte da Benémola

Situado nas freguesias de Querença e Tôr, concelho de Loulé, o Sítio Classificado da Fonte da Benémola é um local de grande beleza, ainda pouco conhecido, símbolo da diversidade paisagística da região Algarvia.

O local é atravessado pela bonita Ribeira de Menalva que, abastecida por algumas nascentes, mantém durante os meses quentes de Verão muito mais água do que a maioria dos cursos de água da seca região Algarvia e situa-se numa interessante zona de transição entre o litoral algarvio e a serra, provendo interessantes características.

A Flora é muito rica e abundante, com espécies diversas como salgueiros, tamargueiras, canaviais ou loendros na parte ribeirinha, e outras como alfarrobeiras, aroeiras, tomilhos, alecrins e carrascos, entre muitas outras.

A existência de água durante todo o ano ajuda à fixação e diversidade de espécies de Fauna, aqui habitando, entre outros, guarda-rios, chapins, garças ou mesmo lontras.

A região envolvente tem tirado o melhor partido desta abundância de água, utilizando-a como instrumento primordial agrícola, pelo que ainda se podem ver interessante construções rurais como açudes, noras ou moinhos de água.

A agricultura está de volta

A agricultura é uma questão de segurança nacional. Vítimas das reformas da PAC, nos últimos 20 anos temos vindo a perder cultura de território, que demorámos centenas de anos a adquirir. Temos gradualmente abandonado a agricultura e vimos as nossas reservas estratégicas reduzidas a números assustadores.
Assumimos uma vocação florestal, que foi importante para a economia a curto prazo, mas devastadora para o território a médio/longo prazo, como tem demonstrado os últimos anos, em que vimos boa parte do território nacional a arder e os solos, já de si pobres, a empobrecerem ainda mais.
A boa notícia é que a agricultura está de volta. Os novos agricultores são pessoas que voltam a ter uma grande cultura de território e visão a longo prazo, da importância da agricultura para o seu país e para o seu legado.

Novos Rurais – E VOCÊ… AINDA VIVE NA CIDADE?

Novos Rurais é o nome criado para designar uma nova classe de pessoas que, tendo nascido na cidade, optam por viver no campo. Geralmente são amantes do campo. Tendem a aproveitar o melhor de ambos os mundos e “levam” algum do conforto que têm na cidade para o campo.

Novos Rurais – Farming Culture

Novos valores que sustentam a procura da proximidade com a natureza e com a vida no campo.

Pensar o “rural” e o “urbano” a partir de um ponto de vista dos agentes sociais que realizam essa interação, rompendo com a dualidade inerente a essas categorias. Entre o ‘local’ e o ‘global’

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Novos rurais: Os electrotécnicos das ervas aromáticas

Os bits e megabits, os computadores e as novas tecnologias foram esquecidos e todas as energias e processamento de dados são agora canalizadas para as Ervas de Zoé, a empresa sedeada no Ladoeiro, na Quinta das Mentas, que mudou radicalmente a vida dos engenheiros electrotécnicos Henrique Manso e Rosário Martins.

Uma mudança muito ponderada, que deixou para trás toda uma vida estável em termos profissionais e pessoais, uma vida bem sucedida, com “uma excelente casa e hipótese de progressão na carreira”. Tudo ficou em Lisboa e nem todos os que os rodeiam perceberam esta troca do mais que certo, pelo inseguro.
Foi um risco que foi sustentado ao longo dos anos, muito pensado, discutido, mas realizado com uma forte certeza e enorme força de vontade. “Foi uma decisão que tomámos cedo, mas chegámos à conclusão que tinha que ser e que não íamos esperar pela reforma”, refere Rosário.
Ambos, de forma mais ou menos consciente, sentiam o apelo à terra, às suas origens. As famílias têm raízes em pequenas aldeias da região e o regresso amiúde foi aguçando o apetite do retorno às origens. “Não é uma decisão fácil, a todos os níveis. Uma pessoa tem estabilidade profissional, tem uma vida a rolar e decidir deixar um conjunto de coisas, não é fácil. Mas, quando há vontade, acaba por se sobrepor. E acreditar que o que se vai fazer vai resultar, tão bem ou melhor do que aquilo que se fazia, é um pormenor fundamental”, afirma Henrique.
A família de Rosário é de Lentiscais, anexa de Castelo Branco, e apesar de ter seguido um caminho diferente e optado pela grande cidade, sempre sentiu uma relação muito forte com a terra. “À medida que ia tendo uma vida cada vez mais citadina fui-me apercebendo e o Henrique acompanhou-me sempre nesse sentimento”, concretiza.
Começaram então à procura de um terreno e quase correm o país com esse objectivo. Não havia dúvidas que o concelho de Idanha-a-Nova era a opção certa e o Ladoeiro ganhou. “Aqui há muita água e excelentes condições para praticar agricultura, não estando muito longe dos Lentiscais nem da terra do Henrique, que é perto do Sabugal. Foi também uma coincidência encontrar este local com todas estas condições para fazer aromáticas”, explica, porque, desde início que a ideia era dedicarem-se às aromáticas. Não tanto pelas condimentares, mas sim pelo chá, de que ambos são fãs incontornáveis.
“Isto foi um gosto que sempre tive ao longo da vida e que nunca valorizei. Tinha a paixão pela electrónica e pelas novas tecnologias, que foi sempre mais importante, mas o outro esteve sempre presente e foi crescendo até se tomar esta decisão”, diz Rosário, sendo seguida por Henrique que reitera que “é uma paixão de há muitos anos, principalmente da Rosário, que já vinha adquirindo conhecimentos e por isso, quando aqui chegámos já sabia bem o que queria, apesar da sensibilidade para as aromáticas lhe ser inata”.
Quando deixaram tudo para trás, os filhos tinham um e três anos e esse foi o móbil que preponderou. “Foram um pouco eles que nos empurraram, tínhamos vontade mas nunca nos decidíamos e com estas idades achámos que estava no limite, para eles não criarem raízes e não têm a noção do que ficou para trás e do que existe hoje”, concretiza a mãe.
Já estão há três anos com as Ervas de Zoé. Pouco tempo para implementar um projecto destes que, para já, se estende quase ao hectare e meio de plantação de aromáticas, apesar de a quinta possuir cerca de oito.
Ao todo, são cerca de 50 plantas diferente que utilizam para condimento e para chás. E o tratamento da planta em si é diferente consoante a sua finalidade. “Para condimentar tiramos só as folhinhas, porque é desagradável apanhar paus, por exemplo, numa salada. Já para infusão trituramos em troços pequenos”, explica Henrique.
As Ervas de Zoé têm 12 referências condimentares e 21 para infusão, para além do conjunto de misturas que foi criada, para linhas específicas. Nomeadamente a da manhã (com três chás diferentes), o pós-refeição (com dois) e a noite (com dois). Já estão a trabalhar numa outra linha, dedicada ao bem-estar.
“Pedem-nos imensos chás para emagrecer… é uma loucura”, afirma Henrique, embora esta linha se estenda a infusões destinadas a problemas como a febre…ou outros sintomas que possam ser combatidos desta forma.
“A Rosário é a pessoa que tem mais feeling e inspira-se no que existe, na literatura e sobretudo nos franceses. Depois, vai experimentando e para além do efeito, procura que seja saboroso, porque uma infusão deve ser um momento de prazer e não um castigo”, ironiza Henrique.
As Ervas de Zoé são distribuídas, essencialmente, para lojas e o escoamento é feito pelo casal. “Nós fazemos tudo: produção, processamento das plantas, embalamento e depois procuramos os clientes”, acrescenta, destacando que vendem em lojas da especialidade e lojas gourmet. A Espanha ainda não chegaram, porque também ainda não houve essa preocupação. Este ano esperam atingir já um número de lojas razoável e reconhecem que ao fim destes três anos as coisas evoluíram bem.

Autor: Cristina Mota Saraiva/Lídia Barata