Algarve Natural

Surpresas e encantos de um universo por descobrir

Na multiplicidade algarvia encontram-se espaços em que a Natureza se encontra ainda em estado puro.

Nos parques naturais, nos sítios classificados, ou nos locais de interesse ecológico, sobrevivem espécies, da fauna e da flora, que fora destas áreas estão já em vias de extinção. Outras há que, graças a características muito próprias da região, só aqui se desenvolveram, constituindo património local.

É bom viver no Algarve!
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Viver no campo – Novos Rurais

E VOCÊ… AINDA VIVE NAS GRANDES CIDADES?

Novos Rurais é o nome criado para designar uma nova classe de pessoas que, tendo nascido na cidade, optam por viver no campo. Geralmente são amantes do campo. Tendem a aproveitar o melhor de ambos os mundos e “levam” algum do conforto que têm na cidade para o campo.

Junte-se a nós!
Movimento Novos Rurais
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Casas em Taipa – Construção Sustentável

A construção em terra, pedra e madeira permite cumprir um dos principais papéis que se impõe às construções actuais: a sustentabilidade dos materiais utilizados. Qualquer um destes materiais é reutilizável, não constituindo qualquer perigo, nem sobrecarga ambiental mesmo após a sua vida útil.

EcoCasa Portuguesa
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Foto:Habitação em Beja
Habitação unifamiliar construída em taipa…
Proj. Arquitectura Bartolomeu Costa Cabral, João Gomes
e Mário Anselmo Crespo

Novos Rurais – Um regresso com futuro

São jovens empreendedores QUE MIGRAM PARA O campo com uma renovada cultura de território, e visão a longo prazo da importância da agricultura para o País e para o seu legado. Promovem um regresso sustentável à RURALIDADE, que combate o desemprego, estimula o desenvolvimento económico e gera poupanças na economia familiar.

POR GABRIELA COSTA

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© DR
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Em 2015, mais de 69 por cento da população portuguesa viverá nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. O número avançado recentemente pela ONU revela um crescimento significativo desta concentração, que não é nova: em 2001, 42% da população vivia nas áreas metropolitanas.
Sucede que esta realidade promove o aumento do custo de vida (no mesmo ano, setenta por cento do endividamento das famílias concentrava-se nas áreas metropolitanas), dos problemas de mobilidade e das condições de vida precária, a nível social mas também ambiental.

Para os Novos Povoadores, a promoção de oportunidades de empreendedorismo nos territórios rurais “provocará o desejado êxodo urbano”. Reduzir o fosso das assimetrias regionais com benefícios para os novos residentes e para os territórios de baixa densidade é um objectivo a conseguir através da instalação de unidades empresariais no interior, a custos reduzidos, e com uma mão-de-obra também mais barata que a dos centros urbanos.

O campo torna-se ainda uma boa escolha pela reconhecida qualidade de vida que proporciona, graças à sua baixa densidade, defendem os Novos Povoadores, que estão a dinamizar uma rede de empreendedorismo no meio rural, em sectores económicos suportados pelas Tecnologias de Informação e Comunicação.
Uma “economia sem geografia” não é uma visão utópica numa sociedade cada vez mais globalizada, preconizam, e “a ruralidade tem hoje atractivos que lhe permite competir com as áreas urbanas, garantem.

Frederico Lucas, que promove o projecto Novos Povoadores e coordena o infoex.pt (iniciativa que acolhe em património edificado ao abandono, no interior do país, empresas de jovens empreendedores, em áreas como a agricultura, a comunicação ou a floresta), é um defensor dos Working Labs, oficinas de experimentação profissional que estão a ser dinamizadas em articulação com algumas autarquias. Estas oficinas resolvem dois problemas, afirma: são uma alternativa para muitos jovens qualificados no desemprego e dinamizam os equipamentos públicos já existentes nos meios rurais.

Neste modelo flexível de ‘levar a cidade para o campo’, a agricultura surge como área estratégica, já que “é consensual que Portugal pode reduzir a dependência externa dos produtos agrícolas”. Esse caminho pode e deve ser traçado apoiando novas iniciativas agrícolas orientadas para as novas tendências de consumo, defende Frederico Lucas.

Ainda vive na cidade?

“Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias.” É com esta filosofia de vida que o Movimento Farming Culture, Novos Rurais defende novos valores que sustentam a procura da proximidade com a natureza e com a vida no campo.

Pensar o “rural” e o “urbano” a partir da interacção de agentes sociais que visam “romper com a dualidade inerente a essas categorias” é a missão deste projecto que se dirige a uma nova classe de pessoas que, tendo nascido na cidade, opta por viver no campo.

Os também chamados Agricultores de Sofá são jovens executivos, empreendedores, que “gerem a dinâmica e o stress empresarial mas não usam gravatas”. Amantes do campo, tendem a aproveitar o melhor do meio rural mantendo algum do conforto que tinham na cidade.

Mas, como é, na prática, dinamizado o movimento Novos Rurais?
Reunindo e partilhando ideias, projectos e experiências, sobre a paixão da vida no campo. Agregando pequenos agricultores biológicos e aproveitando “este nicho da economia que é vital ao desenvolvimento do país”. Privilegiando, “de forma sistemática”, a aquisição de produtos portugueses, adquirindo-os a pequenos produtores e gerando riqueza no país, consolidando postos de trabalho nacionais.

Dinamizando fóruns de discussão e apresentação de projectos de turismo rural e turismo de natureza, “salvaguardando deste modo a nossa riqueza patrimonial, natural, cultural e turística”. E promovendo workshops, em temáticas como hortas urbanas, permacultura e eco-construção, explica, em declarações ao VER, João Monge Ferreira, fundador e promotor do projecto Novos Rurais.

“A promoção de oportunidades de empreendedorismo nos territórios rurais provocará o desejado êxodo urbano” – Novos Povoadores .
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A iniciativa pretende ainda permitir que a sociedade urbana reencontre o prazer de cultivar e de cuidar de pequenas hortas, promovendo valores como o auto-consumo, e a saúde e bem-estar.

Para este empreendedor, a agricultura “é uma questão de segurança nacional”. Na sua opinião, “vítimas das reformas da PAC, nos últimos vinte anos temos vindo a perder cultura de território, que demorámos centenas de anos a adquirir”.

Crítico, João Monge Ferreira considera que o País tem “gradualmente abandonado a agricultura e vimos as nossas reservas estratégicas reduzidas a números assustadores”.

Portugal assumiu uma vocação florestal que foi importante para a economia a curto prazo, diz, mas “devastadora para o território a médio e longo prazo, como têm demonstrado os últimos anos, em que vimos boa parte do território nacional a arder e os solos, já de si pobres, a empobrecerem ainda mais”.

A boa notícia, garante, é que “a agricultura está de volta”: os neo-rurais são agricultores que “voltam a ter uma grande cultura de território e visão a longo prazo, da importância da agricultura para o seu país e para o seu legado”.

Uma EcoCasa portuguesa, concerteza
Uma Eco Casa para todos construída através de uma rede de fornecedores cem por cento portugueses que se tornam embaixadores da causa. É esta a ambição do projecto também fundado por João Monge Ferreira, com os objectivos de atrair, sensibilizar e informar as pessoas que procuram (re) construir edifícios e espaços.
Para tal, “são convidados todos aqueles que projectam, planeiam e executam as construções e os equipamentos, com uma atitude intencional na criação de construções sustentáveis, com menores custos económicos e ambientais e aportando valor acrescentado à qualidade de vida”, anuncia a iniciativa.

Os promotores da EcoCasa Portuguesa, desígnio que nasceu nas redes sociais, querem construir uma casa amiga do ambiente totalmente nacional – desde o projecto de arquitectura aos materiais utilizados, “a ideia é que tudo seja made in Portugal e fornecido graciosamente”.

Ao VER, o responsável desta iniciativa, que dirige ainda os projectos Empreendedores em Rede e Cibereconomia explica que, na fase inicial, a casa modelo será uma forma de os ‘embaixadores’ promoverem os seus produtos e serviços, e serem fornecedores dos futuros projectos.

O objectivo é que a casa “se adapte aos diversos climas, relevos e matérias-primas de cada região”, até porque o futuro do projecto passa pela comercialização em vários países, adianta. É o caso de Angola, Brasil, Espanha e Moçambique, para além de Portugal.

Segundo João Monge Ferreira vão ser projectados modelos low-cost, para fácil implantação em zonas rurais. A primeira habitação, um T3 “orçado em 150 mil euros”, a construir num prazo de dois anos, é um projecto com uma forte componente pedagógica ambiental”, conclui.

O nosso agradecimento à revista VER

Casa construída com garrafas de plástico – Nigéria


A Associação de Desenvolvimento de Energias Renováveis (DARE), na Nigéria, descobriu uma nova solução para pessoas que necessitam de um lar. A solução foi encontrada em garrafas de plástico desperdiçadas.

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Casas para o presente e futuro

Os principais objectivos deste projecto são atrair, sensibilizar e informar as pessoas que procuram (re) construir edifícios e espaços. Para tal, serão convidados todos aqueles/as que projectam, planeiam e executam as construções e os equipamentos, com uma atitude intencional na criação de construções sustentáveis, com menores custos económicos e ambientais aportando valor acrescentado à qualidade de vida.

EcoCasa Portuguesa o “estado da arte”, do cruzamento entre arquitectura, energia e ecologia, o ponto máximo das técnicas e tecnologias passivas e possíveis.

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PISAR A TERRA NUA E CRUA

Há mestres construtores que levantam casas em terra crua. Isto desde o tempo em que Cristo andava pelo mundo. Deitam a terra entre dois taipais de madeira, fecham os topos com comportas, apertam tudo com agulhas de ferro, costeiros e cordas e pisando-a com maços, levantam paredes. Esses especialistas eram – porque hoje já quase não existem – os construtores da taipa, pedreiros que, além desta, dominavam outras técnicas de construção.

A maior parte do Alentejo abrigou as suas gentes em casas de taipa. Casas senhoriais de impressionante traçado foram assim construídas, sirva como exemplo o Paço Ducal de Vila Viçosa. Outras vezes eram construções de somente quatro paredes, quase sem compartimentos, como as pobres casas do Castelo, em Serpa.

Construir em taipa é uma forma de utilizar o mais singelo e comum dos materiais: a terra. A pedra há que procurá-la aqui e ali, ajeitá-la, parti-la. O tijolo há que moldá-lo do barro, secá-lo, cozê-lo, dispô-lo um sobre o outro. A terra, de onde vimos e aonde retornamos, é outra coisa. Está à mão. Existe em toda a parte. Há só que compactá-la para que ganhe resistência. Prensá-la de forma adequada, para que se transforme em barreira contra a intempérie. É uma invenção quase óbvia do homem.
(…)
(do livro Margem Esquerda do Guadiana de João Mário Caldeira)

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