Alentejo – Carne alentejana sempre esgotada

Não há semana em que não sejam consumidas no mercado português a totalidade das 30 toneladas de carne de bovino de raça alentejana comercializadas para as grandes superfícies pelo agrupamento de produtores Carnalentejana.

“Felizmente tudo o que produzimos é consumido. Por semana são abatidos 120 animais, mas não chegam para a procura”, refere Fernando Carpinteiro Albino, presidente da administração da Carnalentejana, considerado o maior agrupamento nacional de produtores em produção extensiva.

Consolidado o mercado nacional, o objectivo passa por aumentar o volume das exportações, actualmente na ordem dos 5%.

“O próximo passo é a exportação dos nossos produtos para Angola e Alemanha”, frisou Carpinteiro Albino.
Criada há 19 anos, a sociedade conta actualmente com 140 criadores desta raça certificada com DOP (Denominação de Origem Protegida). Os produtores estão distribuídos em propriedades por toda a região do Alentejo e concelhos limítrofes com um total de 15 mil vacas adultas.
A Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, é dos maiores produtores desta raça autóctone. “Antes da existência da Carnalentejana já a criávamos. Mas em 1992 foi dado um forte impulso na comercialização pelo agrupamento Carnalentejana”, frisou Luís Rosado, administrador-delegado da fundação.
Actualmente são criados nas pastagens em redor da cidade de Évora cerca de 600 animais. “É uma carne de excelente qualidade que rapidamente escoa no mercado”, acrescenta o responsável da fundação que factura anualmente cerca de 500 mil euros com a comercialização destes bovinos, que corresponde a cinco por cento do volume total de negócios.
DISCURSO DIRECTO
“VAMOS TER MAIS 10 CRIADORES”, Carpinteiro Albino, Presidente da Carnalentejana
CM – Como nasceu o agrupamento?
Carpinteiro Albino – Com a abertura do mercado único no início dos anos 90, começámos a ser invadidos por produtos de animais não controlados na sua alimentação, levados a uma rápida engorda e com menos custos de produção. Como era difícil escoar o nosso gado, criámos, em 1992, a Carnalentejana para manter no mercado a nossa carne de qualidade.
– Depois foram pioneiros no lançamento de produtos.
– Em 1993, iniciámos o processo de certificação. Em 2002, fomos os primeiros a lançar um hambúrguer DOP.
– Passados 20 anos ainda há espaço para crescer?
– Os nossos produtos têm escoamento. Estamos, por isso, receptivos a novos criadores. Somos actualmente 140, mas em 2012 esperamos contar com 150.
PORCOS CHEGAM A PESAR 170 QUILOS
Um porco de raça alentejana pesa no fim da sua criação 170 quilos. Depois de transformado, dá origem a produtos como o presunto ibérico (o quilo chega aos 35 €) e a paleta. Peças de carne, como os secretos, as plumas ou o lombo, estão também a ganhar novos consumidores. São ricas em ácidos polinsaturados que combatem o colesterol e previnem doenças cardiovasculares.
PORCO PRETO VENDE EM ESPANHA
O presunto de porco alentejano, também conhecido por porco preto, está hoje no topo das preferências dos consumidores espanhóis. Para o outro lado da fronteira segue para transformação 60 a 70 por cento da produção nacional desta raça autóctone. Anualmente são exportados para Espanha entre 70 a 80 mil animais ao preço médio de 350 euros cada. Representa um volume de negócios de 25 milhões de euros.
“Esta actividade tem-se assumido como exportadora, sobretudo de animais. A viabilidade do porco alentejano em termos financeiros é conseguida, sobretudo, pela produção de presuntos”, conta José Cândido Félix, presidente da Associação de Criadores de Porco Alentejano e também ele criador, em Ourique. Em Portugal existem cerca de 400 produtores de porco alentejano, a maioria situados neste concelho do distrito de Beja. Os animais são criados em montado de sobro e azinho.

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