Ecoaldeia atrai cada vez mais pessoas

O casamento entre a natureza e a espiritualidade está a tornar-se popular. Em Odemira uma alemã investe meio milhão de euros por ano nesta área.

Sabine Lichtenfels escolheu viver todos os dias em paz. Nasceu na Alemanha em 1954, no seio de uma família de classe média onde se privilegiava a liberdade de pensamento. Após varias desilusões, alguns embaraços e retrocessos formou, em cooperação com Dirter Duhm, a Tamera ou Monte Cerro, em Odemira, no Alentejo profundo. Trata-se de uma área de escassa densidade populacional com vegetação e terrenos agrícolas pobres, resultado de políticas ainda mais pobres.

O modelo de negócio não é prioritário, e grande parte dos lucros são reinvestidos no projecto: cerca de meio milhão de euros por ano, o que revela que estas iniciativas são rentáveis. O turismo, mesmo aquele que se dirige a um nicho de mercado, é um dos sectores com maior potencial de crescimento.

Esta ecovila segue um novo sistema de vida, que interliga de forma não violenta as áreas de vida dos humanos e da natureza (a esfera social e a biosfera) e gera nas comunidades humanas condições interiores (sociais, humanas, espirituais) necessárias à produção de conhecimento e de experiência para atingir o bem-estar.

Vinte anos após a sua fundação, em 1995, o Monte Cerro atingiu um novo patamar. O resultado é uma comunidade auto-suficiente ligada ao ecoturismo terapêutico, onde promovem a cura espiritual através da interacção entre o indivíduo, os animais e a natureza, oferecendo workshops, seminários e a experiência de viver em comunidade. Hoje tem cerca de 200 habitantes, entre investigadores, estudantes e voluntários oriundos de várias partes do mundo.

As actividades e os eventos variam entre o “projecto terapêutico com cavalos,” em que a interacção com a natureza e o animal acalmam-nos e permitem–nos ver de uma forma diferente o mundo e o sítio das crianças, onde podem colher mel, receber formação em ecologia e sobretudo brincar.

O seminário de Permacultura – agricultura permanente – leccionado por Sepp Holzer é, sem dúvida, o maior sucesso desta comunidade. Assenta na regeneração e cura da terra através da retenção de água das chuvas para que se crie um equilíbrio hídrico, pressupondo um arranjo paisagístico no seu sentido mais amplo: corrigir os erros do passado, possibilitando as simbioses geradas pelas acções recíprocas e deixando a natureza trabalhar e recuperar os ciclos naturais.

Quem quiser pode, para além disso, visitar a comunidade, ficar alojado nas pequenas casas caiadas de paredes largas, de janelas pequenas e tectos abobadados que nos dão a sensação de estarmos a entrar num lugar de culto oriental. Aqui perde-se a noção de tempo, Tamera é como uma ilha no meio do Alentejo, o sonho de Sabine, resultado da sua procura de amor. Amor que, segundo ela, nos permite ver a beleza do que nos rodeia, mantendo-nos alerta e potenciando toda a nossa capacidade de ouvir, ver e sentir.

Agricultores de Sofá

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