Economia do turismo

Vítor Neto

No nosso país a «economia do turismo» continua, apesar das incertezas das economias europeias, a apresentar-se como um dos sectores mais consistentes e que teimosamente «resiste», em contraste com a quebra das exportações de produtos industriais tradicionais.Pois por incrível que pareça continua a assistir-se à repetição superficial dos lugares comuns sobre o Turismo que, no fundo, para alguns comentadores e economistas não tem verdadeira importância económica, é coisa de «terceiro mundo», de quem não sabe fazer mais nada, e sem futuro.

A batalha para afirmar a «importância económica do Turismo», apesar das receitas externas que gera (6.200 Milhões de euros) cobrirem cerca de 40% do défice da nossa balança comercial – infelizmente está longe de estar ganha.

Nota 2. Muitos responsáveis continuam assim: 1) a não perceber a «especificidade» económica e social desta actividade; 2) a ignorar as causas da sua enorme concentração, em mais de 80%, apenas em três regiões (Algarve, Lisboa, Madeira); 3) a desconhecer as razões que explicam as grandes diferenças mesmo entre essas três regiões.

Nota 3. Muitos responsáveis não dão sinais de perceber as consequências das profundas alterações que o Turismo está a sofrer e que se cruzam com a «nova fase» da sua evolução.

Trata-se de alterações estruturais: 1) a alteração do papel dos «grandes operadores» que detinham o monopólio sobre os turistas e que perdem influência crescente, assim como os seus voos «charter»; 2) as alterações do transporte aéreo, com a crise das companhias de bandeira e o papel crescente das «low cost»; 3) a explosão da «internet» que incentivou o comportamento individual de um turista com um novo perfil, que evita o «grande operador» e é cada vez mais um «operador de si próprio»; 4) o aumento de uma oferta mundial variada cada vez mais barata e em concorrência implacável; 5) finalmente;

Como se já não faltasse mais nada, estamos também a assistir ao aparecimento de um novo perfil do «empresário do turismo» como consequência da alteração do seu centro de negócio que está a deslocar-se do «hoteleiro» histórico, que tende a desaparecer, para o grande «grupo financeiro/imobiliário» em que o centro do «negócio» mais do que captar turistas e vender camas/noites, é… vender uma 2ª residência, um apartamento, provavelmente associado a uma «rentabilidade (turística) extra» para o comprador.

Nota final. Fiquemos por aqui. Nestas «notas de viagem» queria apenas alertar para um presente que alguns fingem ignorar e outros nem se apercebem, apenas por irresponsável desconhecimento, fascinados pelo «investimento». Porque o futuro não espera por nós.

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