1700 Euros

Ter 1700 euros equivale a estar entre os mais ricos

Possuir um património pessoal igual ou superior a 1700 euros significa pertencer à metade mais rica da humanidade. A conclusão é de um estudo das Nações Unidas divulgado ontem em Helsínquia e que quantifica desigualdades gritantes na distribuição da riqueza à escala planetária.

De acordo com os resultados desta investigação, 2% dos adultos mais ricos do mundo possuem mais de 50 por cento da riqueza mundial, enquanto os bens de metade da população não ultrapassam, no seu conjunto, 1% cento da riqueza global.

O diagnóstico refere-se ao ano 2000 e incide sobre o património da população adulta mundial. Os resultados confirmam uma concentração de riqueza e mostram “que as desigualdades de património são agora muito maiores que as desiguladades de rendimentos”, sublinhou Anthony Shorrocks, director do Instituto Mundial para a Investigação e Desenvolvimento Económico da Universidade das Nações Unidas (World Institute for Development Economics Research of the United Nations University, UNU-WIDER, organismo que promoveu a investigação).

Tomando o dólar como moeda de referência, o Estudo sobre a Distribuição da Riqueza nas Famílias é apresentado como “o mais completo sobre a riqueza pessoal” e dava conta de que nesse ano, 2000, existiam 499 bilionários no mundo e 13 milhões de milionários. Revelava ainda que um por cento dos adultos mais ricos possuíam 40% dos activos globais e que 10% detinham 85 por cento do património tangível mundial.

Façam-se as contas. Se ter 1700 euros (2200 dólares) é suficiente para pertencer à metade rica da população (o que em Portugal equivale a ser proprietário de um bom computador portátil), possuir bens tangíveis no valor de 61 mil dólares (cerca de 50 mil euros, o que é o mesmo que dizer ser dono de um T0 usado em Sintra) chega para integrar o grupo dos dez por cento de adultos mais afortunados do mundo. Continuando a subir na escala: quando o património pessoal contabilizar uma soma igual ou superior a 500 mil dólares (384 mil euros, que podem equivaler, por exemplo, a um apartamento T3 em Telheiras), dá direito a integrar um conjunto de “eleitos” que não ultrapassa 1% da população adulta mundial. Ou seja, a ser um entre os 37 milhões de adultos privilegiados do planeta.

A medida da riqueza

Este estudo da UNU-WIDER é o primeiro sobre esta temática a cobrir todos os países do mundo e a incluir aquelas que são apontadas como as principais componentes da riqueza doméstica ou familiar, incluindo activos e passivos financeiros, terrenos, edifícios e outro património tangível.

Nesta perspectiva – como esclarece James Davies, um dos co-autores do estudo -, o conceito de riqueza deve ser entendido não enquanto somatório de “receitas monetárias”, nem inclui o valor que pode advir da criatividade ou habilidade pessoal, e que costuma, em muitos casos, ser tido em conta pelos economistas. Aqui, riqueza deve ser entendida como “valor líquido”, ou seja “o valor dos activos menos os passivos físicos e financeiros”.

Esclarece ainda James Davies que”a riqueza representa a propriedade de capital. Apesar de o capital ser só uma parte dos recursos pessoais, considera-se que tem um impacto desproporcionado no bem–estar da família (no lar), no sucesso económico, e, num sentido mais amplo, no crescimento e desenvolvimento económicos.”

Resumindo: para elaborar este estudo os investigadores da UNU- -WIDER somaram os activos de cada indivíduo adulto, deduzindo as suas dívidas e tendo em conta tanto as taxas de câmbio como o poder de compra.

É assim que, partindo dessa concepção de riqueza, se estranha menos um aspecto que à partida poderia parecer surpreendente e que os autores da investigação destacaram ontem na conferência de imprensa de apresentação dos resultados: o facto de muitas pessoas de elevados rendimentos, em países ricos, “apresentarem um património líquido negativo e – paradoxalmente – serem os mais pobres do mundo em termos de riqueza doméstica”.

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