Turistas do Algarve

Turistas escolhem o Algarve à procura de educação e cultura
in Região Sul de 30-03-2003 (www.regiao-sul.pt)

Estudo revela motivações para optar pela região como destino de férias. O desafio é saber se a oferta corresponde aos desejos da procura… adaptando-a se necessário

O turista quando escolhe o Algarve como destino de férias espera encontrar "natureza, educação e cultura, relaxamento e recreio". Optam pela região, fundamentalmente, pela existência de "sol e mar". Esta é uma das conclusões de um estudo do Centro de Investigações Sociais e Empresariais, apresentado hoje, quarta-feira, na Região de Turismo do Algarve.

De acordo com o trabalho, o "reencontro com a natureza" reflecte o desejo do turista em visitar ambientes ecológicos e protegidos, assim como o gosto de observar animais no seu habitat, flora exótica e vida marinha.

"Educação e cultura" espelha a vontade de expandir a cultura geral, de melhor compreender outras culturas, de participar em eventos culturais e de visitar centros e monumentos históricos; enquanto o "relaxamento e recreio" traduz a necessidade de escapar às rotinas estabelecidas e descansar mental e fisicamente.

O projecto consiste num estudo científico sobre os motivos e as razões da escolha de Portugal Continental como destino turístico. Por outras palavras, procura saber os anseios da procura. O objectivo é depois fazer coincidir, melhorar, ou adaptar a oferta aos desejos da procura.

De acordo com Licínio Cunha, coordenador do projecto, "o estudo revela a vontade do turista. Esse conhecimento permite aos agentes do sector adoptar medidas para corresponder aos desejos da procura". Antónia Correia, docente da Universidade do Algarve, também presente na sessão, elogiou o carácter pioneiro do trabalho e reforçou essa ideia: "o cliente tem sempre razão", disse. Nessa óptica, "a oferta deve sempre procurar a satisfação do cliente, por isso é necessário saber quais são os seus desejos", sustentou.

Segundo esta especialista, as taxas de ocupação na hotelaria indicam uma "estagnação do mercado". Ou seja, não crescem, tornando, por isso, urgente conhecer as motivações da procura para proporcionar uma oferta correspondente.

O perfil do turista

Maioritariamente, preferem o Algarve, os ingleses, alemães e espanhóis. Na maioria são homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos e os 45 e os 54 anos. Em regra são quadros superiores da administração pública e empresas, dirigentes e especialistas das profissões intelectuais e científicas. Cerca de 4,9% possuem segunda residência e 1,6% têm direitos de propriedade time-sharing.

O trabalho foi elaborado durante todo o ano de 2004, cobrindo as quatro estações, através da realização de 5040 inquéritos a turistas provenientes dos 10 mercados com maior peso no turismo português, designadamente, Espanha, Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Itália, Estados Unidos, Bélgica, Dinamarca e Suécia.

Em termos globais, o que mais atrai os turistas para Portugal é a "associação entre o clima, a hospitalidade do povo, a imagem positiva do País, sobretudo em termos de segurança, e a boa relação entre o preço e a qualidade".

Segundo o estudo, os meios mais utilizados para obter informação sobre Portugal, quer no total, quer por nacionalidade, são a Internet e o "boca em boca". Esta última forma é particularmente relevante em relação aos espanhóis e a Internet é maior meio de divulgação do Pais junto dos norte-americanos.

A margem de confiança deste trabalho é de 95.5%. A sessão realizada hoje é preliminar e de divulgação. O estudo só estará completo dentro de 15 dias. Nessa altura, as regiões turísticas vão ser analisadas individualmente, espera-se, por isso, informação mais detalhada sobre o Algarve.

Especialista espanhol recomenda: Mais "emoção" e menos "sol e praia"
in Observatório do Algarve de 19-03-2005 (http://www.observatoriodoalgarve.com/cna)

Um especialista em turismo considera que o futuro do Algarve passa pela criação de, pelo menos, 50 empresas de criação de experiências emocionais para os que visitam a região, em detrimento do tradicional produto "sol e praia".

Falando em Vilamoura, durante as comemorações do 35º aniversário da Região de Turismo do Algarve (RTA), que decorreram sexta-feira, o espanhol Eulogio Bordas, presidente da empresa THR – consultores internacionais para turismo e lazer – sustentou que o futuro do sector está "nas emoções e na aventura" e que os destinos turísticos têm que se adaptar a essa nova realidade.

Apontou vários exemplos, já existentes, daquele tipo de turismo: passar uma semana numa pequena ilha do Pacífico, tal como Robinson Crusoé, viajar até ao mundo dos vinhos de uma região, fazer descidas de rápidos de um rio ou actividades em bicicleta de montanha.

"Enquanto agora há cerca de 300 milhões de turistas em viagens de 'interesse geral' [produto turístico tradicional] e 100 de interesse especial [integrantes de emoção e aventura], dentro de dez anos haverá 360 milhões em viagens de interesse geral e 310 de interesse especial", disse o conferencista.

Observou que os turistas adeptos do que definiu como "dream society" (sociedade do sonho) já estão a marcar a tendência, pelo que os destinos turísticos como o Algarve se devem adaptar à emergência desse mercado ou acabarão por ficar para trás.

De acordo com Eulogio Bordas, o esforço colectivo de adaptação a esta nova realidade deve levar em conta que o produto conjunto acaba por ser independente da vontade de cada uma das empresas que estão no terreno.

"Não somos nós, como empresas isoladas, que definimos o preço do nosso produto neste tipo de mercado, mas é o conjunto do Algarve que configura, sem o saber, o valor do mercado", disse, apontando que o longo prazo deve substituir a negociação "cada vez mais difícil" ano a ano.

Sustentou portanto que a opção deve passar pela criação de riqueza a longo prazo, pelo que há que definir já que tipo de clientes se quer atrair para o Algarve nos próximos 10 anos.

Para enquadrar a temática, Bordas lamentou – no início da conferência – que as empresas que classificou do "viver" turístico [as que prepararam experiências emocionais únicas para os seus clientes] não tenham tido até hoje um desenvolvimento tão profícuo como as do "estar" (hotéis e restaurantes), chegar (aviação) e "empacotar" (agências de viagens).

"Este esquecimento do 'viver' é a maior debilidade da indústria turística mundial e ao mesmo tempo é o futuro", garantiu o especialista, observando que o turismo tradicional – baseado na inteligência racional – está em queda.

Isso deve-se, disse, à concorrência desenfreada dos vários destinos turísticos, mas também à emergência da Internet – que democratizou e fez baixar os preços – e às companhias aéreas de "low cost" (baixo custo).

"No mercado tradicional, cada vez temos mais trabalho, não para conquistar os clientes, mas para manter a quota do ano anterior", disse, apontando a mudança de "modelo de negócio" como a solução para a crise do turismo tradicional.

Nesse sentido, partindo do princípio que "nem todos os turistas são iguais", preconizou o desenvolvimento do turismo de aventura, baseado na "inteligência emocional", sublinhando que o viajante quer, cada vez mais, "comprar experiências".

Assegurou que, já hoje, cerca de 30 por cento dos europeus, quando viaja, "se aborrece" do produto tradicional.

Advertiu que os meios de venda do novo turismo são diferentes: 32 por cento das vendas são feitas através de revistas especializadas, 30 por cento na Internet, 28 por recomendação e apenas 10 por cento através de agências de viagens.

As comemorações do aniversário da RTA terminaram com um jantar a que se seguiu a apresentação do livro "Algarve, 35 anos", de Carlos Tavares e a atribuição da medalha de ouro do Turismo do Algarve 2005.

Estudo de turismo pouco rigoroso sobre o Algarve
in Observatório do Algarve de 30-03-2005 (http://www.observatoriodoalgarve.com/cna)

Os dados revelados hoje pelo Centro de Investigações Sociais e Empresariais –(CISE) relativamente ao Algarve mereceram alguma contestação dos industriais do sector turístico, por entenderem que está desajustado da realidade.

Os números que provocaram algumas dúvidas sobre a credibilidade do estudo elaborado e agora anunciado referem-se ao facto do número de estrangeiros com segunda residência no Algarve cifram-se apenas nos 18 mil, e os com direitos de propriedade “time-sharing” são pouco mais de dois mil. Estes números resultam dos 4,9 por cento, do universo nacional de 356 mil, que dizem possuir uma segunda residência, e de 1,6 por cento dos 132 mil turistas que visitaram Portugal e têm direitos de propriedade “time-sharing”, referidos no estudo.

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, refere que “o documento foi pensado num âmbito nacional” e por que “se desconhece a ficha técnica” não se sabe como e em que circunstâncias foi o estudo feito no Algarve.

Para aquele responsável, a região que representa cerca de 60 por cento turismo nacional, tem “realidades diferentes seja a sotavento ou a barlavento”. Lamentou ainda que o estudo tivesse sido feito “à chegada e em especial nos aeroportos”.

Quanto ao estudo em si, que reconheceu como “pouco rigoroso”, segundo Elidérico Viegas “não trouxe nada de novo”, e quanto aos valores anunciados “estão aquém da realidade, pois os indicadores apontam para 40 a 50 mil só ingleses com segunda residência no Algarve”.

“Entendo isto como um pré-projecto com boas intenções, que carecem de um aprofundamento regional, com uma base de partida positiva”, disse o presidente da AHETA, acentuando: É um bom começo, pois tem se mostrado pouco interesse em estudar o sector do turismo como ele merece”.

A iniciativa integra-se no Projecto “MotivTur” com carácter científico sobre os motivos e razões da escolha de Portugal Continental, conta com uma equipa de professores e investigadores na sua maioria da Universidade Lusófona, e tem o apoio da Direcção Geral de Turismo (DGT).

Os dados divulgados na Região de Turismo do Algarve, segundo os responsáveis pela equipa, são preliminares e indicam que os turistas são maioritariamente ingleses, alemães e espanhóis, na sua maioria do género masculino, com idades compreendidas entre os 25 a 34 anos e 45 a 54 anos. Na sua vida activa são na maioria quadros superiores da administração pública e empresas, dirigentes e especialistas das profissões intelectuais e científicas.

O “sol e praia” continua a ser a principal escolha dos turistas que visitam o Algarve, de acordo com a amostragem efectuada pelo método de entrevista, a cidadãos de 10 nacionalidades, cujo número nacional foi de 5 040, destes não foram anunciados os correspondentes a esta região algarvia. A razão secundária da escolha é a imagem do destino e o turismo em espaço rural.

Ainda relativamente à motivação mais forte o estudo indica que são o reencontro com a natureza, educação e cultura, relaxamento e recreio. A motivação moderada fica-se pelo desejo da aventura, novidade, visita a família e amigos e por razões de saúde.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s